É hora de alguém dizer, alto e
claro:
Que a
circuncisão infantil - incluindo aquelas por
supostas razões religiosas - é uma
atrocidade e uma fraude. Que é uma
violação brutal, perversa e ultrajante, do
direito de um ser humano indefeso a seu próprio
corpo. Que é abuso sexual da criança em sua
forma mais viciosa, mais destrutiva, e mais
astuciosamente disfarçada.
Que
literalmente censura a vida de uma criança - mata
uma parte da criança - mesmo que ela nunca
perceba, pois a priva de um meio unicamente especializado
e unicamente sensível de perceber, experimentar,
partilhar e aproveitar sua existência.
Que as
razões dadas para justificá-la são
mitos e mentiras. Que é o escândalo mais
feio, mais triste, e mais repulsivo na história da
medicina, uma infâmia para as sociedades que a
toleram e para as instituições que a
santificam.
Que
qualquer um envolvido, mesmo que remotamente, com o ato
de cortar, rasgar, esmagar, ou queimar prepúcios
de bebês - ou de qualquer pessoa, por força,
coerção, ou mentiras - é tão
culpado de causar sofrimento humano quanto os monstros de
Auschwitz, e, em nome da humanidade, deve ser exposto,
confrontado, detido, julgado, e aprisionado.
A despeito
de quaisquer "razões" para circuncidar um
bebê, permanece o fato de que a circuncisão
infantil é a amputação do
prepúcio pela força - a
destruição deliberada e irreversível
de uma parte normal, natural e funcional do corpo de
outra pessoa - tecido vivo, protetor e erógeno,
que é por direito dele e que ele instintivamente
quer manter intacto - em um momento de sua vida em que
ele não consegue entender o quê - e
porquê - está sendo feito a ele, e
não consegue protestar ou se defender.
Circuncisão
infantil é, em outras palavras,
vivisecção humana - legalizada,
institucionalizada e santificada.
Razão
e tentativas de persuasão não vão
deter aqueles que, conduzidos pela compulsão de
destruir o que eles secretamente invejam mas nunca
poderão ter, e desesperados para fazer seus
próprios pênis parciais e torturados parecer
normais - e por quem sabe mais que outras razões
monstruosas - persistem tão incansavelmente em
defender, promover, louvar e executar esta
mutilação aleijante e
desfigurante.
O direito
de nascimento dos homens - todos os homens - de manter
todo o pênis com que nasceram deve ser garantido
por lei.
John A. Erickson
Biloxi, Mississippi
Março de 1998
nota:
infelizmente, eu soube que o autor deste manifesto
faleceu há alguns anos.